As emoções aprendem-se e ensinam-se
- Susana Farinho Garcês
- 22 de jul.
- 2 min de leitura
As emoções aprendem-se. E ensinam-se.
Nas imagens vê-se uma ferramenta simples, mas com um enorme potencial educativo: um jogo de correspondência entre expressões emocionais. A criança observa, identifica e associa a emoção representada na bola ao símbolo correspondente. Parece uma brincadeira, mas o cérebro está a realizar um trabalho de enorme importância.
O que diz a ciência?
A capacidade de reconhecer, nomear e compreender emoções faz parte do desenvolvimento da inteligência emocional, um dos maiores preditores do sucesso escolar, das competências sociais e do bem-estar ao longo da vida.
Quando uma criança identifica uma emoção, está a ativar diferentes áreas cerebrais responsáveis pela:
• perceção visual;
• linguagem;
• memória;
• autoconsciência;
• autorregulação emocional.
Além disso, dar um nome ao que sentimos reduz a intensidade da emoção. A neurociência chama-lhe "Name it to tame it" ("Dar nome para acalmar").
Quando ajudamos a criança a dizer "sinto-me triste", "sinto-me zangado" ou "sinto-me preocupado", estamos a facilitar a comunicação entre a amígdala (centro das emoções) e o córtex pré-frontal, responsável pelo pensamento, pela tomada de decisão e pelo autocontrolo.
Ou seja, antes de ensinar a controlar as emoções, precisamos de ensinar a reconhecê-las.
Como utilizar esta ferramenta?
Mais importante do que acertar na correspondência é aproveitar cada momento para conversar.
Pode fazer perguntas como:
• "Como sabes que esta cara está triste?"
• "O que reparaste nos olhos ou na boca?"
• "Quando foi a última vez que te sentiste assim?"
• "O que costuma ajudar quando nos sentimos desta maneira?"
• "Achas que todas as pessoas mostram esta emoção da mesma forma?"
À medida que a criança cresce, pode aumentar o desafio:
• identificar emoções semelhantes (frustrado, desiludido, preocupado);
• criar pequenas histórias onde cada emoção aparece;
• representar a emoção com o corpo e a voz;
• falar sobre estratégias para lidar com cada sentimento.
Porque funciona tão bem?
Porque junta vários elementos fundamentais da aprendizagem:
✔️ manipulação de objetos;
✔️ atenção visual;
✔️ linguagem;
✔️ memória;
✔️ jogo;
✔️ interação com o adulto.
E sabemos hoje que as aprendizagens mais duradouras acontecem precisamente quando existe envolvimento emocional e participação ativa.
Educar emocionalmente não significa evitar emoções difíceis. Significa dar às crianças ferramentas para as compreender, expressar e regular de forma saudável.
Cada conversa sobre emoções é um investimento na saúde mental, na empatia e na capacidade de construir relações ao longo da vida.



Susana Farinho Garcês
Professora e Especialista em Educação há mais de 25 anos.



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