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As emoções aprendem-se e ensinam-se

As emoções aprendem-se. E ensinam-se.


Nas imagens vê-se uma ferramenta simples, mas com um enorme potencial educativo: um jogo de correspondência entre expressões emocionais. A criança observa, identifica e associa a emoção representada na bola ao símbolo correspondente. Parece uma brincadeira, mas o cérebro está a realizar um trabalho de enorme importância.



O que diz a ciência?


A capacidade de reconhecer, nomear e compreender emoções faz parte do desenvolvimento da inteligência emocional, um dos maiores preditores do sucesso escolar, das competências sociais e do bem-estar ao longo da vida.

Quando uma criança identifica uma emoção, está a ativar diferentes áreas cerebrais responsáveis pela:

• perceção visual;

• linguagem;

• memória;

• autoconsciência;

• autorregulação emocional.

Além disso, dar um nome ao que sentimos reduz a intensidade da emoção. A neurociência chama-lhe "Name it to tame it" ("Dar nome para acalmar").

Quando ajudamos a criança a dizer "sinto-me triste", "sinto-me zangado" ou "sinto-me preocupado", estamos a facilitar a comunicação entre a amígdala (centro das emoções) e o córtex pré-frontal, responsável pelo pensamento, pela tomada de decisão e pelo autocontrolo.

Ou seja, antes de ensinar a controlar as emoções, precisamos de ensinar a reconhecê-las.



Como utilizar esta ferramenta?


Mais importante do que acertar na correspondência é aproveitar cada momento para conversar.

Pode fazer perguntas como:

• "Como sabes que esta cara está triste?"

• "O que reparaste nos olhos ou na boca?"

• "Quando foi a última vez que te sentiste assim?"

• "O que costuma ajudar quando nos sentimos desta maneira?"

• "Achas que todas as pessoas mostram esta emoção da mesma forma?"

À medida que a criança cresce, pode aumentar o desafio:

• identificar emoções semelhantes (frustrado, desiludido, preocupado);

• criar pequenas histórias onde cada emoção aparece;

• representar a emoção com o corpo e a voz;

• falar sobre estratégias para lidar com cada sentimento.

Porque funciona tão bem?

Porque junta vários elementos fundamentais da aprendizagem:

✔️ manipulação de objetos;

✔️ atenção visual;

✔️ linguagem;

✔️ memória;

✔️ jogo;

✔️ interação com o adulto.


E sabemos hoje que as aprendizagens mais duradouras acontecem precisamente quando existe envolvimento emocional e participação ativa.

Educar emocionalmente não significa evitar emoções difíceis. Significa dar às crianças ferramentas para as compreender, expressar e regular de forma saudável.


Cada conversa sobre emoções é um investimento na saúde mental, na empatia e na capacidade de construir relações ao longo da vida.






Susana Farinho Garcês

Professora e Especialista em Educação há mais de 25 anos.



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